The ICMA Information Package on Medical Abortion
Informações para as Mulheres
| 1. Introdução | |||||||||||
Durante séculos, mulheres em todo o mundo têm se sentido no direito de interromper gravidezes não desejadas ou não programadas, utilizando quaisquer métodos conhecidos e disponíveis para fazê-lo. O desenvolvimento da moderna tecnologia médica tornou possível para as mulheres interromperem uma gravidez cirurgicamente sem colocar em risco suas vidas e sua saúde Uma alternativa ao aborto cirúrgico, uma combinação de duas drogas (pílulas abortivas) indutoras do aborto, foi primeiramente licenciado na França em 1988. Em 2005 uma das duas drogas, o Mifepristone, já era licenciado em 35 outros países A segunda droga, o Misoprostol, foi registrado para prevenção de úlceras gástricas causadas pelo uso de antiinflamatórios não-esteróides em mais de 80 países [2]. Ou seja, o Misoprostol está disponível em países onde o Mifepristone ainda não foi registrado. Em muitos países, incluindo aqueles com restrições legais ou acesso limitado ao aborto, uma ou ambas as drogas estão disponíveis para venda livre. Estudos recentes mostraram que muitas mulheres, especialmente em países onde o acesso aos serviços de aborto é limitado, precisam de mais informação sobre pílulas abortivas. Esse folheto explicativo, no formato de pergunta-e-resposta, esclarecerá em termos claros, questões que as mulheres geralmente apresentam sobre ‘pílulas abortivas’. O objetivo é informar às mulheres sobre medicamentos seguros e efetivos que proporcionam o aborto, além de capacita-las para uma tomada de decisão informada sobre a interrupção da gravidez. Em países onde o aborto é legalizado, é mais seguro para as mulheres tomar o medicamento sob orientação médica, se possível.
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| 2. O que é um aborto médico? | |||||||||||
Aborto médico é a interrupção da gravidez através do uso de um ou mais medicamentos.
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| BOX 1: Contracepção de emergência não é o mesimo que aborto médico | |||||||||||
Pílulas utilizadas como contracepção de emergência (CE), também conhecidas como pílulas do ‘dia seguinte’, são utilizadas para prevenir a gravidez atuando na ovulação, mas não interrompem uma gravidez preexistente. O aborto médico, entretanto, induz o aborto em mulheres que já estão grávidas. As pílulas de CE consistem em hormônios como progesterona em uma dosagem muito maior do que pílulas contraceptivas orais. Podem ser utilizadas pela mulher se:
É aconselhável tomar as pílulas CE assim que possível depois de uma relação sexual sem proteção. Quanto mais cedo, mais efetivo o método será. Se não for tomado em até 120 horas após a relação, será menos provável que a pílula previna a gravidez. Pílulas CE são menos efetivas na prevenção à gravidez e têm mais efeitos colaterais do que a maioria dos métodos contraceptivos comuns. A utilização de pílulas CE não protege a mulher contra outros atos de intercurso sem proteção. Por isso não são consideradas adequadas para uso contínuo. (Para mais informações sobre contracepção de emergência, acesse: www.cecinfo.org)
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| 3. Quais os medicamentos utilizados no aborto médico? | |||||||||||
Mifepristone e Misoprostol A combinação de medicamentos mais utilizada para aborto médico é
O Mifepristone causa a diminuição do revestimento uterino e o amolecimento da cérvix. Quando combinado com o Misoprostol causa fortes contrações no útero. Juntos, os medicamentos causam a expulsão dos produtos da gravidez. O resultado é muito parecido com aborto espontâneo ou natural [3]. O Mifepristone é normalmente vendido como “Mifiprex”, “Mifegyne” ou “Mifegest”. Na Índia e na China é vendido com vários outros nomes. O Misoprostol é mais conhecido como Cytotec, Oxaprost ou Cytoprost. O Misoprostol sozinho Em alguns lugares, o prostaglandina Misoprostol é utilizado sozinho para o aborto médico, geralmente quando o Mifepristone não está disponível ou no caso de poucos recursos. Quando o Misoprostol é usado sozinho, causa contrações uterinas, amolecimento da cérvix e os produtos da gravidez são expelidos. Mas sem o pré-tratamento com Mifepristone, é necessário o aumento da dose de Misoprostol. O processo do aborto pode ser mais demorado, doloroso e com mais efeitos colaterais [3]. Além disso, a probabilidade do aborto se completar é menor do que quando combinado com Mifepristone. Mas o Misoprostol continua sendo a opção mais segura em comparação a outros métodos de aborto perigosos e invasivos que as mulheres recorrem quando não há um serviço de aborto seguro disponível. Methotrexate e Misoprostol Em países onde o Mifepristone não está disponível, o Methotrexate é utilizado em combinação com o Misoprostol. Todavia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda o uso de Methotrexate para indução de aborto, uma vez que existe a preocupação de que possa aumentar o risco de malformação fetal na continuidade da gravidez [4]. Além disso, o processo do aborto é mais prolongado.
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| 4. Em que momento da gravidez o aborto médico pode ser realizado? | |||||||||||
O aborto médico pode ser realizado desde o início da gravidez até a 24a semana, contadas a partir do primeiro dia do último período menstrual (UPM)
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| 5. Que tipo de mulher não pode utilizar o aborto médico? | |||||||||||
É aconselhável usar a combinação de Mifepristone/Misoprostol para o aborto médico se apresentar qualquer uma das seguintes condições [6]:
Nenhuma das condições acima, com exceção da alergia ao Misoprostol, aplica-se ao Misoprostol sozinho. Se a mulher usa DIU, este deve ser removido antes da realização do aborto médico com a combinação Mifepristone/Misoprostol ou com Misoprostol sozinho. Mulheres com anemia leve a moderada (nível de hemoglobina entre 9 e 12 gm/dl) podem fazer o aborto médico. Entretanto, será mais benéfico para as mulheres com anemia leve a moderada, tomar pílulas de ferro quando estiverem realizando o aborto médico ou cirúrgico
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| BOX 2: Gravidez ectopica | |||||||||||
A gravidez ectópica é uma condição em que o óvulo fertilizado se aloja e desenvolve em qualquer lugar fora do revestimento interno do útero. A grande maioria das gravidezes ectópicas acontecem nas trompas de falópio (95%); todavia, podem acontecer em outros locais como o ovário, cérvix ou cavidade abdominal [7] Nos estágios iniciais, a gravidez ectópica pode ser assintomática. Os sintomas da gravidez ectópica podem freqüentemente ser vagos, e incluem sangramento vaginal, dor abdominal ou pélvica (geralmente mais forte em um dos lados), dores nos ombros, fraqueza ou tonturas. Esses sintomas podem aparecer também em outras condições tais como cistos no ovário, aborto natural, ou até mesmo em uma gravidez normal. Ocasionalmente, o médico pode sentir uma massa macia durante o exame pélvico. No caso de suspeita de gravidez ectópica, exame de sangue beta hCG, e ultra-sonografia, podem ser utilizados para ajudar a confirmar o diagnóstico [7].
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| 6. Se a mulher estiver amamentando, é possível realizar o aborto médico? | |||||||||||
Existe alguma evidência de que Mifepristone é excretado pelo leite materno, mas pouca evidência referente aos efeitos nas funções supra-renal do infante. A evidência que está disponível sugere que a quantidade de Mifepristone ingerida pelo infante é improvável de causar danos [8]. Pequenas quantidades de Misoprostol saem pelo leite materno logo após sua administração, mas não é sabido se isso pode surtir algum efeito no infante. Como os níveis de Misoprostol decaem rapidamente, é recomendado que o Misoprostol seja tomado imediatamente após a amamentação e que a próxima seja depois de quatro horas em caso de administração oral do Misoprostol e um pouco mais, no caso de administração vaginal [9]. Todavia, se a mulher estiver preocupada com o fato de que os medicamentos podem ser excretados pelo leite materno, pode descartar o leite por 24 horas após o uso da combinação Mifepristone/Misoprostol ou do Misoprostol sozinho.
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| 7. O aborto médico é seguro para mulheres que são HIV positivo? | |||||||||||
Não existe razão pela qual mulheres HIV positivo não possam usar o aborto médico. Mulheres HIV positivo podem ter mais risco de infecções do trato reprodutivo por produtos da concepção retidos, mas isso também pode ocorrer em abortos médicos ou cirúrgicos. Além disso, existe o risco de anemia, especialmente se a mulher estiver com malária ou estiver tomando certos anti retrovirais (ARVs), e pílulas de ferro podem ser prescritas. As poucas mulheres que apresentam forte sangramento devem ser tratadas prontamente para evitar sérias consequências [10].
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| 8. Adolescentes podem realizar aborto médico? | |||||||||||
Não existe nenhuma razão médica pela qual o aborto médico possa ser inadequado para adolescentes. O aborto médico é mais doloroso para qualquer mulher que nunca tenha ficado grávida, e isso pode significar que jovens mulheres nulíparas necessitem de mais medicação contra dor do que mulheres que já tenham dado à luz anteriormente. A disponibilidade do aborto médico pode ser especialmente útil para adolescentes não casadas e outras jovens mulheres que não têm acesso a abortos cirúrgicos seguros em muitos países.
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| 9. Se a mulher apresentar infecção do trato reprodutivo, poderá realizar o aborto médico? | |||||||||||
A mulher saberá se tem uma infecção do trato reprodutivo (ITR) se estiver se tratando. Ela pode suspeitar, também, de que tem uma ITR pelos sintomas experienciados, tais como corrimento branco ou amarelo-esverdeado com odor fétido, coceira e dor na área genital, ou micção freqüente com dor como alfinetadas. O tratamento não deve ser atrasado, pois uma infecção não-tratada pode trazer sérios danos à saúde, incluindo infertilidade. Durante a primeira visita da mulher à clínica para o aborto médico, o médico deve colher um histórico detalhado e examinar fisicamente, incluindo exame pélvico. Em caso de suspeita de ITR, deve ser solicitado um exame laboratorial a fim de confirmar se a mulher apresenta uma infecção do trato urinário. Se a mulher apresentar uma ITR, o tratamento então será realizado juntamente com o aborto médico. O mesmo acontece no caso do aborto cirúrgico. Não existe razão para esperar que o tratamento de ITR termine tanto antes do aborto médico quanto do aborto cirúrgico.
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| 10. Porque as mulheres optam pelo aborto médico? | |||||||||||
As mulheres optam pelo aborto médico pelas seguintes razões [11], [12]:
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| 11. Como confirmar uma gravidez? | |||||||||||
A gravidez pode ser confirmada com um teste de gravidez. Existem dois tipos de teste de gravidez: exame de sangue ou de urina. Ambos os métodos procuram um hormônio especial que somente se apresenta na mulher quando está grávida, o human chorionic gonodotrophine (hCG). O exame de urina pode ser feito em casa, usando um kit de teste de gravidez, disponível nas farmácias, enquanto o exame de sangue apenas pode ser realizado em um laboratório (Ver QUADRO 3).
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| BOX 3: Testes de gravides | |||||||||||
Na maioria dos países, estão disponíveis kits de teste caseiro de gravidez. São os exames de urina. Se o teste caseiro der positivo, é muito provável que a mulher esteja grávida. Se o teste der negativo, pode ser que ainda seja muito cedo para detectar a gravidez, porque a quantidade de hCG presente na urina ainda é muito baixa. O exame de urina pode detectar uma gravidez de uma semana a dez dias após o atraso da última menstruação [15]. O exame de sangue para gravidez conhecido como exame de beta hCG mede a quantidade exata de hCG no sangue. Esse teste é realizado em laboratório clínico, sendo prescrito por um médico. O exame de sangue pode dizer se a mulher está grávida um ou dois dias após o atraso da última menstruação [15]. O exame pélvico realizado por um médico ou parteira pode confirmar a gravidez apenas por volta de seis semanas após o atraso da última menstruação, mas ela não precisa esperar tanto tempo para confirmar sua gravidez. Se a mulher não quiser engravidar, ela pode preferir fazer o teste de gravidez assim que sua menstruação atrasar, e se programar para o aborto.
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| 12. Como a mulher pode descobrir o número de semanas de sua gravidez para recorrer ao aborto médico? | |||||||||||
As mulheres que optarem pelo aborto médico precisam saber com quantas semanas de gravidez elas estão. Isso porque, apesar de a dosagem de Mifepristone continuar a mesma, a dosagem e o número de doses do Misoprostol mudam de acordo com o estágio da gravidez. Para descobrir o tempo de gravidez, geralmente são utilizados os seguintes métodos:
Ultra-sonografia pode ser utilizada se:
Com a ultra-sonografia, o tamanho do saco gestacional, e depois durante a gravidez, o comprimento do feto pode ser medido.
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| 13. Qual a diferença entre o aborto médico e o cirúrgico em gravidez de até 9 semanas? | |||||||||||
[16]
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| 14. Quais são os diferentes regimes utilizado para o aborto médico para gravidez de mais de 9 semanas? | |||||||||||
Os regimes a seguir são recomendados para o aborto médico para uma gravidez de 4 e 9 semanas:
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| 15. Quais são os diferentes regimes utilizados para aborto médico depois de 9 semanas de gravidez? | |||||||||||
A dosagem de Mifepristone/Misoprostol varia para gravidezes de 9 a 13 semanas e para de 13 a 24 semanas. O aborto médico depois de 9 semanas de gravidez precisa ser feito sob supervisão em hospital ou clínica por conta do aumento do risco de complicações. Os regimes a seguir têm sido recomendados para aborto médido em gravidez de 9 a 13 semanas e para de 13 a 24 semanas [5]:
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| 16. O Misoprostol pode ser usado sozinho para aborto em gravidez com mais de 9 semanas? | |||||||||||
Misoprostol é algumas vezes utilizado sozinho para o aborto médico em gravidezes com mais de 9 semanas em lugares onde o Mifepristone não é disponível, porém não existem informações suficientes se é mais seguro ou efetivo. É preciso cuidado no uso do Misoprostol sozinho para gravidezes com mais de 9 semanas. As dosagens de Misoprostol devem obrigatoriamente ser reduzidas conforme o tempo de gravidez aumenta – porque o útero se torna muito sensível à prostaglandina. Existe um risco de ruptura do útero, especialmente depois de 16 semanas de gravidez e em mulheres que tenham uma cicatriz de cesárea realizada anteriormente [2].
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| 17. O quanto é eficaz o aborto médico? | |||||||||||
A eficácia do aborto médico pode ser medida através de taxas de continuidade da gravidez. Em gravidezes de mais de 9 semanas, apenas cerca de 1% das mulheres que optam pelo regime de Mifepristone via vaginal e Misoprostol para o aborto médico continuam grávidas, e em cerca de 3% a 5%, o aborto é incompleto [18]. Em gravidezes com mais de 7 semanas, as taxas de aborto completo são menores quando o regime utilizado é Mifepristone via oral e Misoprostol (400 microgramas). Um estudo mostra que a taxa de aborto completo foi de 84% quando o Mifepristone foi seguido de 400 microgramas de Misoprostol via oral, comparado com 96%, quando é utilizado Mifepristone e 800 microgramas de Misoprostol via vaginal [19]. A eficácia depende do tempo de gravidez: quanto mais avançada estiver a gravidez, menor a taxa de aborto completo e maior a taxa de continuação da gravidez. Por exemplo,em um grande estudo sobre o uso do aborto médico entre 9 a 13 semanas de gestação (com as doses mencionadas na questão 13), 96% das mulheres tiveram aborto completo [20]. Com 13 a 20 semanas de gravidez, cerca de 5% das mulheres podem continuar grávidas com o aborto médico [18]. A taxa de sucesso com o Misoprostol sozinho é menor e mais variável. Em gravidez com até 9 semanas de duração, a taxa de eficácia varia entre 10 e 15% de continuação da gravidez [21]. Ainda não existem evidências disponíveis na taxa de eficácia para gravidezes com mais de 9 semanas de duração.
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| 18. Quanto tempo demora para interromper uma gravidez com aborto médico? | |||||||||||
Quando o regime Mifepristone/Misoprostol é utilizado para o aborto médico em gravidez de até 9 semanas, em poucos instantes (entre 2% e 3% das mulheres), a mulher pode abortar depois de ter tomado o Mifepristone e antes de usar o Misoprostol. De resto, cerca de 90% conclui o aborto em 4 a 6 horas usando Misoprostol [5]. Depois de nove semanas de gravidez, quanto maior o tempo de gravidez, mais tempo demora para concluir o aborto [18], [20]. Em um estudo, o tempo que leva para a conclusão do aborto foi de 6 horas para mulheres com parto anteriores e cerca de 8 horas para mulheres sem partos anteriores. Mais de 70% das mulheres foram para casa no mesmo dia [22]. Existe uma grande variedade no tempo relatado para aborto quando o Misoprostol sozinho em gravidez de até 9 semanas, dependendo da duração da gravidez, dosagem e rota de administração. Um estudo relatou que após tomarem uma dose de Misoprostol via vaginal, 72% das mulheres abortaram em até 24 horas, em comparação com 86% daquelas que tomaram 2 doses do mesmo medicamento e que abortaram dentro do mesmo período [23].
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| 19. Quantas visitas à clinica são necessárias para o aborto médico? Para que serve cada visita? | |||||||||||
Estudos mostram que duas visitas à clínica são suficientes para garantir um uso seguro de Mifepristone/Misoprostol para gravidezes de até 9 semanas, e três visitas para gravidezes com mais de 9 semanas de duração. Quando é utilizada a combinação Mifepristone/Misoprostol Em gravidez de até 9 semanas Primeira visita O médico
Se a mulher optar por tomar o Misoprostol em casa, então o médico deve:
Segunda visita (se a mulher optar por tomar o Misoprostol na clínica) Essa visita deve ser feita entre 24 e 48 horas depois da primeira visita [4]. Durante essa visita, o Misoprostol é inserido na vagina (em gravidezes de até nove semanas) ou tomadas oralmente (em gravidezes de mais de sete semanas). Em muitas localidades, a mulher é mantida sob observação na clínica de 4 a 6 horas. Durante esse tempo, mais de 90% das mulheres terão expelido os produtos da concepção [5]. Se o aborto não acontecer dentro do período de observação, a mulher pode ser liberada para ir para casa para abortar. Em poucos lugares, o Misoprostol pode ser administrado pelo provedor e a mulher pode ir embora imediatamente. Nesse caso, a mulher precisa saber que o aborto pode acontecer antes que ela chegue em casa. Visita de acompanhamento Todas as mulheres deverão retornar 14 dias depois de terem tomado o Mifepristone. Essa visita é para checar se o processo do aborto foi totalmente completo e se todos os produtos da concepção foram expelidos. Durante essa visita, o médico deverá:
Gravidezes de mais de 9 semanas de duração Nesse caso, a única diferença é que precisa ao menos de três visitas ao médico.. A mulher retorna em 24 e 48 horas depois de sua primeira visita, quando tomou o Mifepristone. O Misoprostol é administrado pelo médico no consultório. Durante a consulta, o Misoprostol é inserido na vagina, seguido de várias doses adicionais do medicamento via vaginal e/ou oral até que o aborto aconteça. A mulher é mantida sob observação por várias horas depois de ter expelido os produtos da concepção. Essa consulta é seguida de uma visita de acompanhamento, como descrito acima. Quando o Misoprostol é usado sozinho Em gravidezes com menos de 9 semanas, a posologia consiste em repetidas doses de Misoprostol via vaginal ou sublingual até que o aborto aconteça. Isso pode significar uma necessidade de ficar na clínica por pelo menos um dia, ou administrando repetidas doses de Misoprostol em casa, dependendo da localidade.
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| 20. É possível tomar em casa o Mifepristone e Misoprostol em um regime Mifepristone/Misoprostol? | |||||||||||
Em gravidezes de até 9 semanas, não existe razão por que o uso do Mifepristone e Misoprostol em casa não seja seguro, desde que a mulher tenha informações corretas sobre quem pode e quem não pode tomar o medicamento, a dosagem para diferentes regimes, efeitos colaterais e complicações, e ter acesso a atendimento médico, caso necessário. O uso do Mifepristone/Misoprostol não é recomendado depois de 9 semanas de gravidez, quando é importante realizar o aborto médico sob supervisão de um profissional.
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| 21. Como é a experiência de aborto médico? | |||||||||||
As mulheres que realizarem o aborto médico terão cólicas como as menstruais, dores abdominais e sangramento. Para a maioria das mulheres, as cólicas uterinas e o sangramento vaginal começam de 1 a 7 horas depois que tomaram o Misoprostol. Mas, em 5% dos casos, a mulher começará a sentir cólicas assim que tomar o Mifepristone. O sangramento vaginal é mais intenso do que a menstruação enquanto o aborto está acontecendo e os produtos da concepção estão sendo expelidos. Esse sangramento intenso é de curta duração, por cerca de 1 a 4 horas. Sangramento leve e manchas podem continuar de 9 a 13 dias. Em raros casos, as mulheres podem apresentar sangramento leve por até 45 dias depois de o aborto acontecer [4]. A quantidade de sangramento depende do tempo de gravidez e do medicamento utilizado. Outros efeitos colaterais podem ser experienciados pelas mulheres como diarréia, náusea, vômito, dor de cabeça, tontura, dores nas costas e cansaço. Esses efeitos colaterais podem aparecer depois da administração do Misoprostol, mas duram apenas de 2 a 4 horas. Vários estudos mostram que náusea, vômito e diarréia em caso de administração vaginal do Misoprostol acontecem menos do que quando tomados via oral [24].
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| 22. Quais são os efeitos colaterais mais comuns, e como a mulher pode lidar com eles? | |||||||||||
Sangramento
Dor
Náusea, vômito e diarréia
Consumo de álcool e drogas
É importante consultar o médico se você estiver tomando qualquer medicamento, sob prescrição ou não, fitoterápicos ou preparados de ervas quando estiver procurando aborto médico. Esses medicamentos ou preparados podem interferir na ação do Mifepristone [25].
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| 23. Quais são algumas das complicações do aborto médico, e o que pode ser feito sobre isso? | |||||||||||
Sangramento intenso ou excessivo Em raros casos, a mulher pode experienciar sangramento uterino excessivo, que normalmente ocorre de 1 a 3 semanas depois de tomados os medicamentos (com exceção do sangramento depois de tomar o Misoprostol). A mulher saberá que o sangramento está muito intenso se:
Cerca de 1 a cada 1000 mulheres tem sangramento tão intenso que necessita de uma transfusão de sangue [16]. A mulher deve contatar seu médico imediatamente se apresentar sangramento intenso. Enquanto isso, ela deve beber muito líquido para que não perca minerais essenciais de seu corpo. Infecção Calafrios e leve aumento da temperatura normalmente acontecem imediatamente após o Misoprostol ter sido ingerido. Esses não são sintomas de infecção, são efeitos colaterais do medicamento, que normalmente duram por apenas cerca de 2 horas [11]. Menos de 1% das mulheres mostraram sinais de desenvolvimento de infecção depois do aborto médico [26]. Pode-se suspeitar de infecção se:
A mulher precisará de ajuda médica se desenvolver esses sintomas [11]. Ela poderá ser tratada como um paciente de ambulatório e voltar para casa, ou precisará ser internada em um hospital para tratamento, dependendo da severidade da infecção e da necessidade de observação e outros exames.
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| 24. O quanto é seguro o aborto médico? | |||||||||||
Quatro mortes após a realização de aborto médico nos Estados Unidos e uma no Canadá, que aconteceram entre os anos de 2001 e 2005, recentemente, foram tema de artigos e cartas para mídias médica e meios de comunicação dominantes. Estas mortes foram associadas à infecção por uma bactéria anaeróbica chamada Clostridium sordellii, e não foram atribuídas aos medicamentos do aborto médico. Em Março de 2006, duas outras mortes após a realização de aborto médico foram relatadas nos Estados Unidos. Uma dessas mortes tem características que coincidem com o Clostridium sordellii; a outra parece não ter qualquer relação com o aborto. Clostridium sordellii é um esporo encontrado no solo. Ainda não foi descoberto como e por que está envolvido nessas mortes. Pesquisas sobre os motivos pelas quais essas mortes ocorreram e o que fazer para preveni-las, e um encontro de especialistas começaram nos Estados Unidos em maio de 2006, com a finalidade de revisarem os dados existentes. Entretanto, em nenhuma dessas mortes existe qualquer evidência sugerindo que o uso de Mifepristone ou Misoprostol tiveram alguma implicação como causa da infecção. Infecções fatais por Clostridium sordellii também são conhecidas por acontecer em mulheres após o parto ou aborto espontâneo. Essas infecções, assim como aquelas que ocorrem após o aborto médico, são extremamente raras. Nos Estados Unidos, Suécia, Reino Unido e vários outros países, já é uma prática comum administrar o Misoprostol via vaginal. Em outros países, o Misoprostol tem sido tipicamente administrado via oral. Novamente, não existem evidências que sugiram que a rota de administração do Misoprostol está relacionada a uma infecção por Clostridium sordellii. Além disso, não existem relatos de morte por infecção por Clostridium sordellii entre mais de três milhões de mulheres fora dos Estados Unidos que utilizaram o aborto médico na época. Na China, onde mais de 22 milhões de mulheres já utilizaram o aborto médico, também não existem relatos de infecção, apesar de os dados serem limitados. Aborto é um dos procedimentos médicos mais seguros. É importante lembrar que o risco de complicações é extremamente baixo quando o aborto é realizado por um médico treinado. O Comitê Diretor da ICMA, juntamente com os demais que trabalham nesta área, está preocupado com essas mortes. Todavia, continuamos apoiando o uso do aborto médico, baseado em seus excelentes registros de segurança. Monitoramos de perto outros desenvolvimentos e continuaremos a disponibilizar qualquer nova informação no sítio do ICMA [33], [34], [35], [Ref36].
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| 25. Como a mulher pode saber se a gravidez ainda não foi terminada? | |||||||||||
A mulher pode suspeitar de que a gravidez ainda está em andamento se:
Quando tomado sob supervisão médica, a mulher deverá retornar para uma visita de acompanhamento 14 dias após tomar o Mifepristone. O médico irá confirmar se o aborto foi finalizado e se é necessário de outro tratamento. Se houver razão para suspeitar que a gravidez continua, ou que o aborto está incompleto, deverá ser realizado o exame de sangue beta hCG e/ou um exame de ultra-sonografia. É importante que a mulher se consulte com seu médico. Se a gravidez continuar, o médico deve fornecer uma outra dose de Misoprostol. Se a mulher desejar terminar sua gravidez imediatamente, seu médico deve providenciar um aborto cirúrgico assim que possível.
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| 26. No caso de a gravidez não ser terminada, existe o risco de nascimentos defeituosos? | |||||||||||
Na grande maioria das gravidezes levadas a termo depois de utilizar a combinação Mifepristone/Misoprostol ou Misoprostol sozinho, o bebê nascerá normal. Todavia, um pequeno número de estudos para examinar o risco de nascimentos defeituosos concluiu que pode existir um risco levemente maior depois de utilizar o Misoprostol. A maioria desses defeitos dizem respeito ao sistema nervoso central e membros inferiores e superiores [21]. O Mifepristone não causa nascimentos defeituosos [4].
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| 27. Quando tempo depois do aborto médico as mulheres podem voltar a ter relações sexuais? | |||||||||||
Depois do aborto médico, a mulher não deve se envolver com sexo vaginal ou inserir qualquer tipo de coisa em sua vagina por cerca de uma semana depois da administração dos medicamentos, [3] ou até que ela se sinta preparada.
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| 28. Quanto tempo depois do aborto médico a mulher pode engravidar? | |||||||||||
Se a mulher não utilizar um método contraceptivo efetivo, poderá engravidar antes de sua primeira menstruação. A concepção pode ocorrer dentro de 10 dias a 2 semanas depois do aborto médico, dependendo da duração do seu ciclo menstrual [3].
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| 29. Quanto tempo depois do aborto médico a mulher retomará sua menstruação normal? | |||||||||||
A mulher pode esperar ter sua menstruação normalizada de quatro a seis semanas depois do aborto médico, desde que ela não engravide novamente [3].
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| 30. Quanto tempo depois do aborto médico a mulher pode começar a utilizar contraceptivos? | |||||||||||
A mulher pode começar a usar contraceptivos no dia em que tomar o Misoprostol. Os métodos mais adequados são: pílula oral, hormônio injetável e implantes. Métodos de barreira como preservativo, espermicida, capa cervical e diafragma podem ser utilizados quando o ato sexual for retomado. Se a mulher quiser que um dispositivo intra-uterino (DIU) seja colocado, ela precisará esperar até que o aborto esteja finalizado e que todos os produtos da concepção tenham sido expelidos [11]. Não existem restrições ou contra-indicações para esterilização depois do aborto médico, e o procedimento pode ser realizado a qualquer momento depois do aborto, isto é, depois de expelir todos os produtos da concepção. Na prática, todavia, as mulheres que planejam fazer esterilização podem preferir o aborto cirúrgico, para que os dois procedimentos possam ser feitos sob a mesma anestesia.
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| 31. Existe algum efeito de longo prazo na saúde da mulher causado pelo aborto médico? | |||||||||||
O aborto médico não tem nenhum efeito negativo de longo prazo que seja conhecido. Pode contribuir positivamente para o bem-estar da mulher através da remoção do estresse de uma gravidez não desejada [11].
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| 32. Existe algum risco de o aborto médico afetar a capacidade da mulher de ter outros filhos no futuro? | |||||||||||
O aborto médico não afetará a capacidade da mulher de engravidar e ter um filho no futuro [11]. Um estudo na China pesquisou mulheres que tiveram subseqüentes gravidezes desejadas e seus resultados depois de um aborto médico não encontraram nenhum efeito adverso no resultado [30]. A more recent large study published in NEJM found no adverse effects on subsequent fertility or pregnancy outcomes. [38].
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| 33. Existe algum efeito adverso no caso de mais de um aborto médico? | |||||||||||
Não existem estudos de longo prazo que tenham investigado esse assunto.
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| 34. Quanto custa um aborto médico? | |||||||||||
O custo do aborto médico é muito variado entre os países dependendo de:
Podem existir custos extras no caso de necessidade de uma aspiração cirúrgica para completar o aborto e no caso de consultas adicionais para tratar de complicações. Entretanto, o custo do Mifepristone é o principal componente do valor do aborto médico em todo o mundo. O preço de venda do Mifepristone em diferentes países em 2005 foi [31]:
O custo de varejo do Misoprostol é razoável em quase todos os lugares. Contudo, se o Misoprostol for utilizado sozinho, provavelmente, a mulher precisará de um número maior de pílulas. Por exemplo, 1 tablete de 200 microgramas de Misoprostol custa US$0,30 no Reino Unido, quando solicitadas por hospitais e clínicas licenciadas que provêm aborto médico, e cerca de US$ 0,50 na África do Sul [31]. O custo atual do aborto médico para as mulheres também depende de como os serviços de aborto são pagos, e se o aborto médico é coberto por financiamento público ou seguro de saúde.
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| 35. Em que países a mulher pode realizar o aborto médico utilizando a combinação Mifepristone/Misoprostol? Em que países o Misoprostol está disponível? | |||||||||||
Para detalhes da lista de países onde o Mifepristone é licenciado e um mapa dos países onde o Misoprostol é aprovado, visite o sítio http://gynuity.org/resources/info/map-of-misoprostol-approval/.
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| 36. Qual a opinião das mulheres nos países onde o aborto é legalmente restrito? | |||||||||||
Toda mulher deve ter o direito de interromper uma gravidez não desejada de forma segura. Existem muitas razões pelas quais as mulheres querem interromper uma gravidez. A gravidez pode ser resultado de um ataque sexual ou de sexo forçado; a mulher pode querer não mais continuar com a gravidez porque suas circunstâncias mudaram desde que ficou grávida; circunstâncias sociais e econômicas podem não permitir que ela continue com a gravidez; pode ter acontecido uma falha de contraceptivo; a mulher pode não ter acesso a um método de contracepção efetivo, ou não tenha tido informação sobre como prevenir a gravidez. Infelizmente, o aborto é legalmente restrito em muitos países. E, sem serviços de aborto seguro disponíveis, muitas mulheres tentam abortar inserindo objetos pontiagudos ou ervas medicinais no útero, fazendo pressão com a barriga ou ainda bebendo misturas de ervas. Em muitos lugares, tais procedimentos podem causar sérias doenças e até mesmo a morte. Na maioria dos países onde o aborto é legalmente restrito, é improvável que o Mifepristone seja registrado. Mas o Misoprostol é amplamente disponível em quase todos os países desde que foi registrado para o tratamento de úlcera gástrica. O uso de Misoprostol comprado atrás dos balcões das farmácias é muito comum na América Latina e Caribe e em um crescente número de países asiáticos. Experiências de países tais como Brasil e Chile, têm mostrado que o aborto médico é mais seguro do que as alternativas invasivas que as mulheres são forçadas a usar para induzir um aborto. Apesar de existirem efeitos colaterais, eles quase sempre podem ser solucionados com medicamentos simples [2]. Contatar o serviço de saúde após tomar o Misoprostol em casa para completar o aborto facilitará o gerenciamento do tempo de qualquer complicação em potencial. O Misoprostol oferece às mulheres que vivem em países com restrições legais ao aborto uma importante alternativa aos métodos de aborto que sempre são perigosos. Veja Women on Web como uma possível alternativa.
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